domingo, 15 de fevereiro de 2009

Da pedra lascada ao laser

Na Pré-História, os homens lutavam pela sobrevivência. Brigavam por um pedaço de carne, quando encontrava algum. Temiam o desconhecido, exatamente por não conhecê-lo. Criaram mitos para explicar e justificar a própria origem e existência.
Na Antiguidade, a luta era para construir impérios, escravizar humanos, manter-se no poder, ou simplesmente garantir sua liberdade. Adorar as divindades e oferecer sacrifícios em troca de benefícios como enriquecimento ou vitória numa guerra.
A humanidade “evoluiu”. Passou pela Idade Média e pela Idade Moderna. Desenvolveu ciências e tecnologias, cruzou o oceano, acumulou riquezas, conquistou territórios, dominou povos, destruiu culturas e civilizações, inventou armas e remédios. Travou guerras sangrentas entre “o Bem e o Mal”.
Chegou à contemporaneidade e conquistou novos objetivos. Construiu foguetes, alcançou a lua, explorou o espaço, desenvolveu novas tecnologias, descobriu a cura para muitas doenças, salvou muitas vidas e destruiu muitas outras.
Desde a Pré-História, a humanidade briga entre si por poder e riqueza. Nada mudou!
Se antes o homem utilizava uma machadinha de pedra lascada para caçar seu alimento ou matar outro homem que ameaçasse seus domínios, hoje utiliza uma bomba capaz de destruir todo planeta e com ele, a humanidade. O instinto selvagem de atacar para se defender e matar para proteger seu território, ou exterminar para manter-se no poder e adquirir mais riquezas não mudou nada em milhares de anos.
Dizem que a humanidade evoluiu! Basta saber se para melhor ou pior. Que houve evolução não há dúvida: da machadinha de pedra ao microcomputador houve um salto fantástico; das Grandes Navegações marítimas às Viagens Espaciais e Virtuais, a aventura é miraculosa; das pinturas rupestres até os desenhos computadorizados, a tecnologia e a arte desenvolveram técnicas revolucionárias; da pedra lascada à era do laser, o homem superou milhares de vezes sua capacidade intelectual e técnica. E não pára por aqui. O processo de criação é infinito, inovador e libertador.


(Volpone de Souza, DDD - Deus Diabo Dinheiro - Qual Deles Adorar?
Berto Editora, 2004)

"Penso, logo existo!"

O mundo está cada vez mais racionalista, competitivo, individualista e globalizado. Fruto do desenvolvimento tecnológico e científico que impõe ao indivíduo um ritmo de vida cada vez mais acelerado, fragmentado, competitivo e solitário.
Hoje acessamos a Internet e navegamos pelo “mundo das informações”. Em contato com este mundo, isolados num cômodo de casa, no escritório ou em qualquer lugar, criamos nosso próprio mundo. Um mundo virtual. Um mundo paralelo ao mundo “real”. Ali permanecemos durante horas. Esquecemos do mundo real. Nos individualizamos cada vez mais. Exilados espontaneamente. Nos excluímos dos grupos sociais por vontade própria. Enquanto isso as relações de sociabilização, necessárias à “sobrevivência” da espécie humana, estão acontecendo em alguns setores da sociedade como escolas, igrejas, clubes, partidos políticos, “quartos”. Por enquanto! Pois, se a humanidade continuar nesse ritmo, voltaremos ao início da pré-história, no período paleolítico, quando o “homem”, vivia solitário lutando por sua sobrevivência. Isolados e solitários na Era da Globalização. Cada indivíduo “sociabilizando-se” com o mundo através de um micro-computador.

(Volpone de Souza, DDD - Deus Diabo Dinheiro - Qual Deles Adorar?
Berto Editora, 2004)